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Gestão do Forte da Lagarteira passa para o Município
O Forte da Lagarteira, em Vila Praia de Âncora vai ter nova vida. A Câmara conseguiu negociar com a Marinha Portuguesa a cedência do imóvel e acaba de aprovar, em reunião do Executivo, o protocolo que estabelece as condições em que o edifício do século XVII vai ser utilizado pela autarquia, durante os próximos cinco anos, período após o qual poderá o mesmo protocolo ser renovado. A boa notícia para Vila Praia de Âncora e para o concelho formaliza-se hoje, por coincidência, Dia Nacional dos Castelos.
\r\nA localização privilegiada do Forte da Lagarteira, em pleno Portinho, e as suas potencialidades levaram este Executivo a encetar negociações com a Marinha vista à cedência do imóvel, uma vez que este se encontrava encerrado e sem aproveitamento. Todas as tentativas anteriores resultaram infrutíferas. De facto, esta Câmara conseguiu uma cedência a título precário e gratuito, tendo a Marinha prescindido da exigência de uma renda, como chegou a ser falado antes. O Município assumirá a conservação, manutenção e custos de funcionamento, como água, eletricidade e gás, por exemplo.
\r\nRecorde-se que, pontualmente, o Executivo tinha já conseguido que a Marinha autorizasse a realização de alguns eventos, sempre com grande sucesso, o que reforçou a ideia de que o Forte poderia constituir uma mais-valia real da Vila e do próprio concelho.
\r\nEntre os eventos já ali realizados, destaque para o concerto com Teresa Salgueiro, que celebrou os 90 anos de elevação de Gontinhães à categoria de Vila - Vila Praia de Âncora. Mais recentemente, o imóvel foi palco do Fado Forte, evento integrado nas Viagens à Terra Nova. No mês passado, noutro contexto, acolheu também a cerimónia de receção aos professores.
\r\nPara Miguel Alves, estas são boas notícias para Vila Praia de Âncora e para o concelho, que assim valoriza o seu património e o coloca ao serviço da população e do turismo. O presidente da Câmara destaca que o Forte da Lagarteira é um imóvel de referência no concelho de Caminha e, em particular, em Vila Praia de Âncora (freguesia com défice em matéria de locais capazes de acolher atividades culturais) e tem um enorme potencial, nomeadamente para a realização de eventos.
\r\nO protocolo em causa corporiza assim um anseio da população e testemunha a capacidade do Executivo gerir energias e parcerias com entidades externas.
\r\nO Forte da Lagarteira foi mandado construir por D. Pedro II (1640 - 1668/1690) na sequência das Guerras da Restauração da independência para o reforço da costa portuguesa perante a ameaça espanhola, integrando-se na linha de defesa estrategicamente colocada nas margens do rio Minho e ao longo da Costa Atlântica.
\r\nSegundo os especialistas, a sua planta estrelada com baluartes faz deste imóvel uma verdadeira fortaleza, tornando a designação de forte incorreta.
\r\nHá investigadores que sugerem que este imóvel, bem como outros construídos no séc. XVII na costa portuguesa entre Vila Praia de Âncora e Esposende, reúnem as mesmas características constituindo um modelo, representando o avanço no sistema de defesa e vigia e, possivelmente, resultam da elaboração do mesmo arquiteto projetista, havendo a hipótese de se estender até ao Guadiana, integrada uma política de defesa da costa e da linha de fronteira.
\r\nNo interior, o Forte da Lagarteira possui uma pequena praça de armas enquadrada por três construções com cobertura e um jardim.