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Contas de 2013 encerram um ciclo de desequilíbrio e abrem um novo caminho de contenção e rigor

18 Abril 2014
As contas relativas ao ano de 2013 foram ontem aprovadas pelo Executivo, com os votos favoráveis da maioria, fechando um ciclo que se traduz em resultados negativos.

As contas relativas ao ano de 2013 foram ontem aprovadas pelo Executivo, com os votos favoráveis da maioria, fechando um ciclo que se traduz em resultados negativos. O documento do exercício de 2013 agora aprovado apresenta um resultado líquido de exercício negativo de € 918.262 e um resultado operacional também negativo de mais de 1.8 milhões de euros. Como explica o documento, fatores como a sobreavaliação da receita, aumento das despesas correntes em mais de 30 por cento e crescimento dos gastos com animação em cerca de 300 por cento explicam em parte estes números.

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Na apresentação das contas, o presidente sublinhou que 2013 foi um exercício de fim de ciclo, e de “excessos”, que teria ainda sido mais negativo caso o Executivo atual tivesse assumido compromissos até ao final do ano, o que não aconteceu. Este é o “retrato sem photoshop - são as contas da verdade”.

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Miguel Alves explicou que o resultado líquido não é mais do que a diferença entre proveitos e custos, ou seja, gastou-se quase mais um milhão de euros do que o valor arrecadado. Pior ainda, como sublinhou, é o resultado operacional, que traduz os gastos com o funcionamento da máquina da Câmara, negativo em 1,8 milhões de euros.

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Ao contrário do esforço pedido ao país, em 2013 o Executivo anterior aumentou a despesa, incluindo as despesas com pessoal, violando aqui a lei e a obrigatoriedade de reduzir os funcionários em dois por cento. Em contraciclo, só nesse ano entraram para o quadro 36 novos funcionários, 24 destes apenas no mês de setembro, mês das eleições autárquicas. Esta “opção” poderá penalizar o Município em termos de FEF, com um corte de dois por cento, ou seja, superior a 100 mil euros, que irá penalizar ainda mais o orçamento camarário.

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Além disso, a atual Lei das Finanças Locais obriga a uma execução orçamental no campo das receitas correntes nunca inferior a 82 por cento, tendo o exercício de 2013 ficado pelos 74 por cento. O anterior exercício escapa a esta “malha” mais apertada, mas a verdade é que as contas da Câmara de Caminha não respeitam o princípio do equilíbrio orçamental desde 2009, que obriga a equilibrar despesas e receitas. Miguel Alves revelou que o Município já foi notificado pelo Tribunal de Contas para prestar esclarecimentos em relação ao no de 2009, o ano que está em análise neste momento, sendo previsível que aconteçam problemas semelhantes com todos os exercícios posteriores.

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Voltando ao caso de 2013, a tónica foi o aumento do passivo, fixado agora em 38 milhões de euros, mas também se registou um aumento significativo das dívidas a terceiros. Por outro lado, é de realçar que o ano que findou ficou marcado por um aumento custos com a animação cultural em 300 por cento (como se referiu atrás), enquanto a rubrica que engloba assessorias, pareceres, publicidade, etc. disparou em 100 por cento. As transferências para as freguesias aumentaram em três mil por cento em ano eleitoral, enquanto a atribuição de verbas através da entrega de cheques por cada bebé nascido nos últimos 4 anos e do programa “Semear para colher” (ao abrigo do qual foram oferecidas mais de 1200 mil aves de capoeira e 699 suínos) fizeram crescer a rubrica de apoio às famílias em 1.200 por cento no último ano.

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O presidente ainda desmistificou o alegado “lucro” de cerca de dois milhões de euros em 2012, que foi completamente fictício, resultando da inclusão no exercício do ano de receitas de que a Câmara só vai auferir nos próximos 30 anos (que acrescentou cerca de um milhão de euros à receita), do não pagamento dos subsídios de férias e Natal devidos aos trabalhadores (que retirou cerca de 600 mil euros à despesa) e da dívida às Águas do Noroeste que deixou de estar como dívida para passar a estar contabilizada como provisão (retirando da despesa 5 milhões de euros).

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O futuro é pois difícil e o Executivo já está a fazer um grande esforço de racionalização, impondo regras “draconianas” à máquina municipal que passam por cortes na despesa de 15% com especial destaque para assessorias e publicidade cujos custos descem cerca de 30%. O ciclo do despesismo e do incumprimento acaba aqui, conforme prometeu Miguel Alves, que não deixou de manifestar esperança e confiança, apesar de todas as contingências da herança recebida.

Conteúdo atualizado em18 de junho de 2018às 17:38