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- Orçamento para 2014 marcado pelo rigor, realismo e resistência numa câmara financeiramente doente que urge tirar dos "cuidados intensivos"
Orçamento para 2014 marcado pelo rigor, realismo e resistência numa câmara financeiramente doente que urge tirar dos 'cuidados intensivos'
A proposta de Orçamento do município para 2014 foi hoje apresentada aos órgãos de comunicação Social. Miguel Alves classificou o documento como uma espécie de orçamento dos três "R", ou seja, marcado pelo rigor, pelo realismo e pela resistência. O presidente não escondeu que a situação financeira da Câmara ´é desfavorável: "a Câmara de Caminha está financeiramente doente e este é um esforço para a colocar no rumo certo e para a retirar dos cuidados intensivos". Assumidas são as apostas na ação social e na educação, que vão ver reforçado o investimento, enquanto as transferências para as freguesias são salvaguardadas.
\r\nOntem, dando cumprindo ao Estatuto da Oposição, o presidente apresentou o Orçamento à oposição, CDU e PSD, abrindo assim um procedimento que, pelo menos durante os últimos 12 anos, não existiu.
\r\nHoje, perante os jornalistas, Miguel Alves foi assertivo e deu a conhecer as linhas principais para o próximo ano. Contextualizando, recordou que este Orçamento tem uma história, "a história da atual e verdadeira situação financeira da Câmara Municipal de Caminha. E tem circunstâncias, as que decorrem da crise económica e financeira do país, das dificuldades das famílias e empresas do concelho e dos cortes financeiros que o Estado impõe já para 2014".
\r\nDaí os três "R". Rigor, em contraponto à fantasia que caracterizou orçamentos anteriores, designadamente o que se encontra em vigor; realismo, porque aposta claramente nas pessoas e é sensível em relação aos mais vulneráveis; e resistência, porque traduz também um apelo de resistência às famílias e às empresas.
\r\nAuditoria externa mostra quadro cada vez mais grave
\r\nReferindo-se ainda à "história" que também marca este Orçamento, o presidente revelou novos dados sobre os resultados da auditoria externa em curso, que agravam ainda mais algumas situações, em parte até já tornadas públicas. É o caso da dívida, calculada em 16,6 milhões de euros, mas que deverá ser revista em alta em termos de dívida global, passando para os 35 milhões de euros.
\r\nSobre as dívidas de curto prazo, certo já é que deverá também sofrer um agravamento, sempre além dos quatro milhões de euros.
\r\nEste é, pois, um Orçamento de resposta a uma "doença", sublinhou Miguel Alves, recordando algumas situações preocupantes e com grande impacto nas contas. É o caso da Parceria Público Privada, que significa uma renda anual de 790 mil euros, correspondendo a 40% da verba arrecadada com o IMI. "Os munícipes precisam de saber que 40% dos impostos que pagam durante um ano são consumidos pela PPP".
\r\nMas o Orçamento surge também marcado por outras circunstâncias com impacto na receita do município, casos da derrama a zero, da redução nas receitas do IMI e do IMT e dificuldade na cobrança de taxas e emolumentos por força da deficitária situação económica.
\r\nPor outro lado, aumentam, em 2014, as despesas com pessoal na exata medida do aumento do número de trabalhadores que integram o quadro da Câmara Municipal. Recorde-se que, só em 2013 entraram 36 novos funcionários para o quadro de pessoal, 24 deles no mês das eleições - setembro.
\r\nAcrescem ainda as consequências dos cortes nas transferências do Estado.
\r\nOrçamento realista e que assume opções
\r\nA proposta, nas palavras do presidente, cumpre desde logo a primeira obrigação, ou seja, é um Orçamento realista, de 20,2 milhões de euros: menos 3,7 milhões de euros do que no passado, ou seja, menos 15%.
\r\nExiste uma preocupação de contenção no investimento em edificado; de racionalização de despesa dos diversos serviços, sobretudo os menos operacionais e aposta-se na criação de riqueza que possa incrementar a atividade económica.
\r\n"A Câmara Municipal tem obrigação de fazer escolhas e elas são feitas neste Orçamento: O Orçamento configura um corte de 15% relativamente ao ano anterior e este corte envolve o esforço da maioria dos serviços da Câmara".
\r\nNo entanto, há três áreas escapam aos cortes. Duas, explicou Miguel Alves, porque nelas há um reforço da aposta da Câmara: Ação Social e Educação.
\r\n"Dada a situação de fragilidade da nossa comunidade, a Câmara Municipal apesar das dificuldades cria, com este investimento, um Fundo de Emergência Social no valor de 150.000 euros. Assume os compromissos anteriores e prepara uma almofada social que permite socorrer em situação de emergência e absoluta dificuldade", explicou o autarca.
\r\nAs boas notícias, na área social, vão mais longe: "Uma novidade é a criação de um Programa de habitação social assente no arrendamento. Outra é o desenvolvimento de um Projeto Municipal Integrado de Promoção do Envelhecimento Ativo".
\r\nA terceira área é a das freguesias. "No meio desta tempestade, a Câmara mantém os valores globais de transferências para as freguesias, podendo algumas ter perdas nas transferências correntes mas ganhos nas transferências de capital. Esta é uma rubrica onde se assume alguma incerteza em virtude da aplicação da nova Lei de Competências, que atribui várias competências próprias às freguesias sem o indispensável apoio financeiro, o que poderá colocar novos problemas a curto prazo a necessitar de intervenção da Câmara".
\r\nRacionalizar a própria "máquina" é o caminho escolhido
\r\nMas, como referiu o presidente, a Câmara também tem que racionalizar a sua própria máquina, apontar caminhos, fazer o seu próprio esforço para libertar as famílias de o fazer. Destacam-se como medidas conducentes a este objetivo: corte de 10% generalizado a todos os prestadores de serviços, a negociar para os que têm contratos em vigor, a exigir, como mínimo, para os contratos a celebrar; corte de 20% em publicidade - cartazes, panfletos, separatas de jornais, publicidade na rádio e televisão; corte de 20% em comunicações - internet, telefone e outras e corte de 30% em estudos e pareceres.
\r\nEstes cortes, explicou Miguel Alves, aproximam-se dos 200 mil euros. permitindo, compensar assim, a descida na taxa do IMI. "Para acompanhar este esforço de racionalização e, eventualmente, reforçá-lo no exercício que se segue, vai ser criado um sistema de contabilidade analítica por atividades. Quer se acredite, quer não, a Câmara não sabe quanto é que gasta em cada uma das suas atividades por causa da prolife