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Rapazes dos Tanques partilharam em Caminha lições de vida e inconformismo

24 Abril 2015
Eram muito jovens, pouco mais de 20 anos. Há 41 anos tiveram nas mãos a vida de centenas de pessoas e o sucesso ou o insucesso da Revolução de 25 de Abril. Ontem à noite, os “rapazes dos tanques” estiveram em Caminha, nos Paços do Concelho, para contar na primeira pessoa as suas experiências, ao lado dos dois jornalistas que imortalizaram, em livro, o seu contributo determinante para a Democracia. Foram “rapazes” que souberam tomar decisões, como salientou Miguel Alves, sublinhando a importância da memória e de não deixarmos de decidir quando é preciso, sob pena de outros tomarem as decisões por nós.
Eram muito jovens, pouco mais de 20 anos. Há 41 anos tiveram nas mãos a vida de centenas de pessoas e o sucesso ou o insucesso da Revolução de 25 de Abril. Ontem à noite, os “rapazes dos tanques” estiveram em Caminha, nos Paços do Concelho, para contar na primeira pessoa as suas experiências, ao lado dos dois jornalistas que imortalizaram, em livro, o seu contributo determinante para a Democracia. Foram “rapazes” que souberam tomar decisões, como salientou Miguel Alves, sublinhando a importância da memória e de não deixarmos de decidir quando é preciso, sob pena de outros tomarem as decisões por nós. 
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Alfredo Cunha tinha 20 anos em 1974. Era repórter fotográfico do “Século”. Adelino Gomes era jornalista da “Seara Nova”. Tinha 29 anos e estava proibido pelo regime de trabalhar para a Rádio Renascença. Estiveram lado a lado com outros jornalistas no Terreiro do Paço. O fotógrafo destacado pelo jornal e mandado para a cobertura da Revolução às 06h45, enquanto Adelino Gomes foi levado pela curiosidade e chegou mais tarde, pelas 10h00, acabando por relatar para os microfones da mesma Rádio Renascença a conferência de imprensa de Salgueiro Maia.    
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O livro que nasceu de madrugada 
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Os dois jornalistas passaram o dia 25 de abril de 1974 lado a lado, na rua, sem se conhecerem, mas o livro “Os rapazes dos tanques”, que dizem ter nascido nesse dia, é fruto do amadurecimento de uma relação profissional e de amizade de muitos anos e da partilha das experiências da Revolução. Procuraram os heróis menos conhecidos, ouviram as suas histórias, e trouxeram-nos às páginas do livro e a diversos locais, desta vez a Caminha. Salão Nobre cheio, até de madrugada, para ouvir a simplicidade das vivências desse dia, em que correu tudo bem, mas podia não ser assim, bastava que um ou dois dos “rapazes” que estiveram ontem em Caminha, a quem foram dadas ordens para disparar a partir dos tanques, as tivesses cumprido.   
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O que mais impressionou na apresentação de ontem à noite foi a simplicidade e a humildade com que os acontecimentos foram recordados, pela voz dos protagonistas presentes, alferes Fernando Sottomayor, cabo apontador José Alves Costa, furriel miliciano Manuel Correia da Silva e o caminhense Fausto Gonçalves. 
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Sottomayor, o “rapaz” mais qualificado na altura recusou disparar e foi detido pela Polícia Militar. Transferida ordem idêntica para Alves Costa, este respondeu que iria ver o que podia fazer. Fechou-se no tanque com os colegas e não disparou. Mas estes eram os tanques que tinham capacidade para destruir o Terreiro do Paço e destruir também, pelo menos por mais alguns longos anos, o sonho da Liberdade e da Democracia.
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Emoção e esperança tomou conta da audiência
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No Salão Nobre dos Paços do Concelho, a abarrotar, houve emoção e esperança. Miguel Alves destacou o momento especialmente importante, especialmente bonito, que foi também de reflexão e agradecimento. 
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O presidente da Câmara de Caminha deixou duas notas: a primeira que tem a ver com a importância da memória. Citando o filósofo Arthur Schopenhauer, disse que “a memória age como a lente convergente na câmara escura: reduz todas as dimensões e produz, dessa forma, uma imagem bem mais bela do que o original. É bom que nos recordemos disso todos os dias”. 
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A segunda, para o presidente, relaciona-se com o motivo que o leva a querer estar na política ativa e que partilhou: “a memória é passado mas é também futuro. As decisões, grandes e pequenas, têm o poder de mudar o mundo. Estes homens mudaram o mundo porque tomaram decisões. Das duas uma – ou tomamos decisões ou outros tomam-nas por nós”.
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Miguel Alves agradeceu também à Biblioteca e aos seus responsáveis, ao fotógrafo António Garrido, que sugeriu esta atividade para, em simultâneo, assinalar o Dia Mundial do Livro e o aniversário da Revolução, e ao historiador Paulo Bento, que foi o moderador da noite. “Este é um grande momento: 25 de Abril sempre”, concluiu Miguel Alves.
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Conteúdo atualizado em18 de junho de 2018às 17:38