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Património Histórico
- Mosteiro de S. João D'Arga
Mosteiro de S. João D'Arga
O Mosteiro de S. João de Arga está implantado no topo da Serra d’ Arga (lugar de Arga de Baixo, Caminha) dispondo de uma ampla visibilidade sobre o rio Minho. Embora seja desconhecida a data da sua fundação, as suas caraterísticas apontam para os finais do século XIII.
Esta construção de arquitetura românica insere-se no grupo das pequenas igrejas rurais, de nave única e curta, com capela-mor de planta quadrangular e panos murários muito robustos.
A capela foi alvo de várias reformas ao longo dos séculos. Em 2015, o Santuário de S. João d'Arga foi alvo de uma empreitada de Conservação e Valorização, que englobou trabalhos de conservação e de beneficiação na igreja, nos albergues/quartéis, nos espaços exteriores, nos sanitários públicos, no edifício de apoio ao Santuário e, ainda, o melhoramento e execução de algumas infraestruturas.
No topo da Serra de Arga, numa zona de rochas escarpadas e desfrutando de uma panorâmica privilegiada sobre o curso final do rio Minho, a capela de São João é um dos mais importantes testemunhos medievais da região, não obstante a sua pequenez e simplicidade. Desde muito cedo foi sede de uma romaria dedicada a São João Baptista, ainda hoje realizada pelos finais de Agosto de cada ano, momento devocional que é apenas mais um a juntar às numerosas romarias locais que têm como destino a Serra. Carlos Alberto Ferreira de Almeida caracterizou bem esta situação, ao referir-se a uma "intensidade simbólico-religiosa" local, materializada numa "antropologia religiosa dominada por uma economia ganadeira" (ALMEIDA, 1987, p.154).
Desconhece-se a partir de que altura teve início esta concorrida romaria, assim como desconhecida é a origem da capela. Uma tradição cronística da época moderna, depois sucessivamente veiculada pelos Dicionários Corográficos dos séculos XIX e XX, sustenta que o primitivo mosteiro havia sido fundado por São Frutuoso, ao redor de 623 (ALVES, 1982, pp.148-149, cit. Fr. Leão de São Tomás e Pe. Carvalho da Costa), ano constante de uma discutida epígrafe de que, infelizmente, se perdeu o rasto. A recente avaliação que Mário Barroca fez desta inscrição, concluiu pela sua "existência duvidosa", a que não será alheia a "ânsia" de Fr. Leão em remeter as fundações beneditinas portuguesas para tempos remotos" (BARROCA, 2000, vol.2, t.1, p.162).
Por outro lado, este mesmo autor sugere que a inscrição, a ter existido, poderia antes referir-se ao ano de 1123, proposta mais de acordo com os prováveis caracteres que a compunham e relativa a uma época em que o mosteiro já certamente existia. Com efeito, sabemos que um ano antes, em 1122, aparece referido Sancto Johanne de Arga, data que se adapta muito melhor ao que conhecemos acerca do povoamento organizado da região.
Se é possível sugerir que o mosteiro existia já na primeira metade do século XII, a actual capela dificilmente corresponderá a essa época. À semelhança do vizinho templo de São Pedro de Varais, também a obra de São João de Arga pertence àquele românico tardio, tendencialmente incaracterístico em termos estilísticos, planimetricamente simples e decorativamente despojado. O que se conserva da fábrica românica aponta para uma cronologia ao redor dos finais do século XIII, época em que foi mais comum as pequenas igrejas rurais, de nave única relativamente curta e capela-mor quadrangular, de panos murários muito robustos e escassamente fenestrados e cachorrada de modilhões sem decoração. O único portal original conservado confirma esta apreciação, com o seu duplo arco já quebrado, assente em impostas lisas e de tímpano desprovido de elementos artísticos.
A capela passou por algumas reformas ao longo dos séculos. De 1333 é uma enigmática inscrição colocada na capela-mor (DGEMN on-line), provavelmente alusiva a uma campanha de obras, quem sabe se a que lhe conferiu grande parte da configuração actual. De maior impacto foi a campanha de finais do século XVIII ou já de inícios da centúria seguinte. Nessa altura, por a parte ocidental do edifício ameaçar ruína, ou por uma genuína vontade em actualizar e monumentalizar a fachada principal, refez-se toda esta parte da igreja, prolongando-se a nave e adaptando-se um frontispício com portal de arco recto ladeado e sobrepujado por óculos (que conferem maior luminosidade ao interior) e terminando em empena triangular irregular, acompanhada de volutas, pináculos nos ângulos e uma cruz axial.
Em redor da igreja, e para albergar os numerosos romeiros que aqui se deslocavam, construiu-se um albergue, edifício de dois corpos de planta em "L" e de dois andares. Tendo em conta que a fachada principal datará da viragem para o século XIX, é natural que também o albergue seja contemporâneo dessa empreitada, respondendo eventualmente a um crescente desenvolvimento da romaria e da festa em honra a São João.
PAF
Referência: Direcção-geral do Património Cultural. Disponível em: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/72533 (Acedido em 01-07-2016)
Arga de Baixo
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