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Mosteiro de São João d’Arga

Mosteiro de São João d’Arga

Classificado como Monumento Nacional desde 2013, o Mosteiro de São João d’Arga é um antigo complexo religioso beneditino, transformado num santuário de montanha em recinto fechado. Localiza-se num local de grande beleza, na encosta orientada a norte da Serra d’Arga, a aproximadamente 440 metros de altitude. Implanta-se sobre um pequeno promontório rochoso que se eleva na margem direita do Ribeiro de São João, a partir do qual se abarca um alargado panorama orientado aos vales dos rios Coura e Minho.

A capela de São João, que o integra, rodeada por monumentais e também seculares sobreiros e carvalho-alvarinho, é um dos mais importantes testemunhos medievais da região, não obstante a sua reduzida dimensão e simplicidade. Desde muito cedo foi sede de uma romaria dedicada a São João Baptista, que ainda hoje se realiza nos dias 28 e 29 de agosto de cada ano, momento devocional único que se junta às numerosas romarias locais que têm como destino a serra. Desconhece-se a partir de que altura teve início esta concorrida romaria, assim como desconhecida é também a origem da capela.

Diz-se, tradicionalmente, que a fundação do primitivo mosteiro teria ocorrido no ano de 623, por São Frutuoso. Pensa-se, porém, que essa data poderia ser fruto da leitura incorreta de uma epígrafe de existência duvidosa e da qual se perdeu o rasto. Seria, possivelmente, 1123 a data legítima a encontrar-se nela inscrita, o que estaria mais de acordo com uma época em que o mosteiro já existia.

O que se conserva da fábrica românica da capela aponta para uma cronologia próxima ou de finais do século XIII, uma época em que foi comum a edificação de pequenas igrejas rurais, de nave única relativamente curta e capela-mor quadrangular, de paredes muito robustas e escassamente fenestradas e cachorrada de modilhões sem decoração.

Ao longo dos séculos, a capela passou por algumas reformas, sendo de 1333 uma enigmática inscrição colocada na capela-mor, provavelmente alusiva a uma campanha de obras, porventura a que lhe conferiu grande parte da sua configuração atual. De maior impacto foi a campanha de finais do século XVIII ou já de inícios da centúria seguinte. Nessa altura, pela ameaça de ruína da parte ocidental da capela ou pela vontade de atualizar e monumentalizar a fachada principal, reconstruiu-se essa parte do templo e prolongou-se a nave.

Em redor da capela construiu-se ainda, provavelmente na mesma época, um albergue para acolher os numerosos romeiros que ali se deslocavam e pernoitavam durante as ocasiões festivas em honra de São João. É neste edifício de dois andares constituído por dois corpos de planta em “L” que se localizam os quartéis, uma sucessão de quartos organizados linearmente, sob uma cobertura comum e com uma galeria alpendrada a proteger as entradas.

Antes da abertura da estrada florestal, na década de 40 do século XX, o acesso ao mosteiro era feito a pé, por meio de uma densa e ancestral rede de caminhos e carreiros que, ainda hoje, retalha as pedregosas e alcantiladas encostas da serra. Os “Caminhos de São João d’Arga” respeitam, em grande parte, os percursos originais que partiam das Argas (de Cima, de Baixo e de São João), de Caminha e de Vila Praia de Âncora.

Para além da Romaria de São João d’Arga, que assinala a morte do santo por degolação, é também neste local que, a 24 de junho, dia do nascimento de São João Batista, se faz a festa do São João das Cerejas.

A Romaria de São João d’Arga é uma das romarias de maior afluência da região minhota, a festa popular mais exuberante e espontânea da Serra d’Arga, fazendo dela um acontecimento festivo sem paralelo no Alto Minho. O seu caráter peculiar é conferido pela importância dada aos aspetos associados às práticas e crenças religiosas, mas principalmente aos elementos lúdicos, nomeadamente os comes e bebes, os trajes, as danças e os cantares dos romeiros.

CAMINHOS DE SÃO JOÃO D'ARGA - MOSTEIRO DE SÃO JOÃO D'ARGA

Conteúdo atualizado em8 de agosto de 2025às 18:46